O aterramento industrial é uma das partes mais importantes da instalação elétrica e, ao mesmo tempo, uma das mais esquecidas. Ele fica enterrado, não aparece no dia a dia e raramente entra no plano de manutenção. No entanto, quando falha, o resultado pode ser um choque elétrico, um equipamento queimado ou uma linha parada por defeitos que ninguém consegue explicar.
Além disso, a nova redação da NR-10, que entra em vigor em junho de 2027, amplia a exigência de documentar as medições de aterramento. Neste artigo, você vai entender para que serve o aterramento, quais sinais indicam problemas e como manter o sistema da sua fábrica em dia.

O que é o aterramento industrial
Aterrar é ligar, de forma intencional, as partes metálicas da instalação à terra. Entram nessa ligação as carcaças de máquinas, os painéis, as estruturas metálicas e as eletrocalhas. Assim, correntes de falha, surtos e descargas ganham um caminho seguro, longe das pessoas e dos equipamentos sensíveis.
Em geral, o sistema reúne quatro partes:
- Eletrodos: hastes ou malhas enterradas, que fazem o contato com o solo;
- Condutores de proteção: o conhecido fio terra, que leva cada carcaça até o sistema;
- Barramento de equipotencialização: o ponto que une o aterramento elétrico, o do para-raios e as demais estruturas;
- Conexões e caixas de inspeção: os pontos de ligação que permitem medir e conferir o sistema.
Para que serve o aterramento industrial
O aterramento industrial cumpre várias funções ao mesmo tempo. Por isso, um defeito nele costuma aparecer de formas muito diferentes.
- Proteger as pessoas: se o isolamento de um cabo falha e a carcaça de uma máquina fica energizada, a corrente segue para a terra e a proteção desliga o circuito, evitando o choque;
- Proteger os equipamentos: os protetores contra surtos dependem de um bom aterramento para desviar as sobretensões;
- Garantir o funcionamento da automação: CLPs, inversores, sensores e redes industriais precisam de uma referência elétrica estável para trabalhar sem ruído;
- Escoar descargas atmosféricas: o sistema de proteção contra raios precisa estar integrado ao aterramento da instalação;
- Dissipar a eletricidade estática: em áreas com pós ou líquidos inflamáveis, o aterramento reduz o risco de faíscas.
Os esquemas de aterramento mais comuns
A forma de aterrar uma instalação é uma decisão de projeto. Em baixa tensão, ela segue a NBR 5410; em média tensão, a NBR 14039. Os esquemas mais usados são:
- TN-S: o neutro e o condutor de proteção seguem separados em toda a instalação, o que favorece equipamentos eletrônicos sensíveis;
- TN-C e TN-C-S: o neutro e a proteção dividem o mesmo condutor em parte ou em toda a instalação, com restrições definidas pela norma;
- TT: as massas da instalação têm um eletrodo próprio, separado do aterramento da fonte de alimentação;
- IT: a alimentação fica isolada da terra ou ligada a ela por uma impedância, e o esquema é usado onde a continuidade do serviço é crítica.
Ou seja, não existe um esquema certo para todas as fábricas. O que existe é o esquema adequado ao projeto, mantido do jeito que foi projetado.
Sinais de que o aterramento industrial tem problemas
Felizmente, um aterramento com defeito costuma dar avisos. Fique atento a estes sinais:
- pequenos choques ou sensação de formigamento ao tocar carcaças e painéis;
- dispositivos DR desarmando sem motivo aparente;
- falhas intermitentes em CLPs, inversores, sensores e redes de comunicação;
- leituras instáveis e ruído em sinais analógicos;
- equipamentos queimados depois de tempestades;
- conexões oxidadas ou soltas e cabos de terra rompidos;
- improvisos, como fio terra desligado ou ligado no neutro.
Muitas vezes, a equipe troca peças e reprograma equipamentos sem resolver nada. Afinal, a causa está no aterramento, e não no equipamento.
O que a NR-10 exige sobre o aterramento industrial
A NR-10 trata o aterramento como medida de proteção coletiva. Pela redação atual, todas as empresas devem manter os diagramas unifilares atualizados, com as especificações do sistema de aterramento. Já os estabelecimentos com carga instalada acima de 75 kW também precisam guardar, no prontuário, a documentação das inspeções e medições dos aterramentos.
O que muda com a nova NR-10
A Portaria MTE nº 737/2026 deu uma nova redação à NR-10, que passa a valer em 1º de junho de 2027. Com ela, toda organização deverá dispor de projeto elétrico e da documentação das inspeções e medições dos sistemas de aterramento, independentemente da carga instalada. Além disso, o aterramento aparece de forma expressa entre as medidas de proteção contra choques por contato indireto.
Portanto, empresas menores, que hoje não precisam do prontuário, também terão de comprovar as medições. Os dois textos da norma estão disponíveis na página oficial da NR-10.
Como manter o aterramento em dia
A manutenção do aterramento industrial não exige grandes paradas. Mesmo assim, ela precisa ser feita com método e registrada:
- Medir a resistência de aterramento: primeiro, com um terrômetro, compare o resultado com o projeto e com as medições anteriores;
- Testar a continuidade: em seguida, confirme que o condutor de proteção chega de fato a cada carcaça, painel e estrutura;
- Inspecionar as conexões: verifique hastes, caixas de inspeção e terminais, em busca de corrosão e folgas;
- Conferir a equipotencialização: garanta que o aterramento elétrico e o do para-raios estão interligados;
- Testar as proteções: confira os protetores contra surtos e acione o botão de teste dos dispositivos DR;
- Atualizar a documentação: por fim, registre as medições e mantenha os diagramas unifilares em dia.
Além das verificações periódicas, vale refazer as medições depois de ampliações, reformas e tempestades fortes. Os projetos elétricos e diagramas unifilares são a base para comparar o que foi projetado com o que existe na planta.
Aterramento, painéis e inversores de frequência
Na automação, o aterramento industrial exige um cuidado extra. Os inversores de frequência, por exemplo, geram correntes de alta frequência que precisam de um caminho curto e bem conectado até a terra. Por isso, a ligação do motor, do inversor e da blindagem dos cabos deve seguir o manual do fabricante. Explicamos outros cuidados no artigo sobre parametrização de inversores de frequência.
Da mesma forma, a barra de terra dos painéis merece atenção em toda manutenção preventiva de painéis elétricos. Uma conexão frouxa ali pode afetar todos os equipamentos alimentados pelo painel.
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A Same Automação atua em instalação elétrica industrial, montagem de painéis e automação. Dessa forma, a instalação que alimenta a sua automação fica com quem conhece os dois lados.
Se a sua planta apresenta algum dos sinais deste artigo, ou se você quer chegar a junho de 2027 com a documentação em ordem, fale com a nossa equipe.